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will bank2023Staff Product Designer, Cartão de Crédito

Trocando o cérebro: como a migração do autorizador devolveu ao cliente o controle do tempo da fatura

Uma migração de back-end parecia só trabalho de infraestrutura. Dados de contato e entrevistas mostraram que o cliente planeja a vida pela fatura, olhando para trás e para a frente, e o sistema antigo não deixava. Usamos o novo autorizador para devolver esse controle do tempo: fatura aberta em tempo real, faturas passadas e futuras no app, antecipação de parcelas com desconto e planejamento antes da compra.

A/BLançado contra um grupo de controle
CSAT & NPS ↑Maiores no grupo de teste do que no de controle
Contatos ↓Menos chamados no grupo de teste
  • Cartão de crédito
  • Estratégia de produto
  • Controle Temporal
cartão de crédito
Empresa
will bank, um banco digital para brasileiros de menor renda, com milhões de clientes
Meu papel
Staff Product Designer, Cartão de Crédito
Trabalhei com
Engenharia, Produto, liderança e a Mastercard no benchmark
Período
2023
O que ficou comigo
  • Enquadrar a migração como oportunidade de produto, junto com o time
  • Análise da taxa de contato com IA
  • Entrevistas
  • Benchmark com a Mastercard
  • Workshop com a liderança
  • Protótipos e testes de usabilidade
  • Telas do Controle Temporal
  • Influência no backlog

01 · Contexto

O nosso cartão de crédito rodava num processador terceirizado.

O will bank usava um processador terceirizado para orquestrar todas as operações do cartão de crédito. Isso deu velocidade para chegar ao mercado, mas também trouxe instabilidade em tarefas muito básicas e uma taxa de aprovação de transações abaixo da dos principais concorrentes.

Menortaxa de aprovação de transações que a dos principais concorrentesUm custo do modelo terceirizado
Volume perdidotransações que o banco deixava de processar todo mêsNúmeros omitidos
1 cérebroO processador orquestrava toda operação do cartão. O time decidiu internalizar a parte mais crítica: o autorizador.Uma mudança no núcleo do cartão

Trocar o processador inteiro seria um trabalho grande demais, então o time decidiu internalizar a parte que mais dava problema, o autorizador. No papel, era um projeto de infraestrutura, sem nada que o cliente fosse ver.

A oportunidade

No papel, era uma migração de back-end. A gente viu ali a chance de devolver ao cliente o controle do tempo da própria fatura.

Como podemos usar o novo autorizador para o cliente saber o que já pagou, o que está pagando e o que ainda vai pagar?

Além da taxa de aprovação, o time via no autorizador um jeito de aumentar a satisfação dos clientes e a nossa competitividade. Para encontrar essas melhorias, o trabalho rodou em seis etapas, cada uma somando uma perspectiva antes de qualquer coisa chegar ao backlog.

Como o trabalho rodou · seis etapas Cada etapa somou uma perspectiva antes de qualquer coisa chegar ao backlog.
  1. 01

    Desk research

    Dados de taxa de contato analisados com IA, depois entrevistas. Cinco dores encontradas, uma escolhida como foco.

    Visão do usuário
  2. 02

    Benchmark

    Com a Mastercard, as funcionalidades essenciais de um cartão no Brasil: os “Básicos Impecáveis”.

    Visão de mercado
  3. 03

    Ideação

    Um workshop com a liderança, priorizado com um framework adaptado da IDEO.

    Time e liderança
  4. 04

    Prototipação

    Baixa fidelidade com a engenharia, alta fidelidade nos testes de usabilidade.

    Engenharia, depois clientes
  5. 05

    Entregas

    Primeiro a fatura aberta previsível, depois o passado e o futuro.

    Backlog
  6. 06

    Impacto

    Um rollout controlado, medido contra um grupo de controle.

    Teste vs. controle

02 · Discovery

Li os chamados primeiro, depois entrevistei clientes.

Usei um LLM para classificar as transcrições de chat por causa e medir quanto o cérebro antigo nos custava em operação. Depois entrevistei clientes que tinham aberto chamados, para entender o que aqueles tickets significavam na vida deles.

Eu uso as faturas futuras pra planejar minhas compras, mas com esse banco eu preciso de uma planilha de Excel. É arcaico.

Entrevista com cliente

Paguei, fui usar o cartão e não consegui, mesmo com o app dizendo que estava tudo normal.

Entrevista com cliente

Você vê a fatura num dia e separa o dinheiro. No vencimento, o valor é outro, porque aparece uma parcela que você achava que já estava ali.

Entrevista com cliente
Dados de taxa de contato (analisados com IA) × entrevistas Das cinco dores, uma fazia as pessoas repensarem o cartão.
  1. Faturas imprevisíveis nosso foco
  2. Serviços fora do ar
  3. Dificuldade para pagar a fatura
  4. Fatura fechando com atraso
  5. Sem como antecipar compras parceladas

Para quem faz as contas até o último centavo, uma fatura que muda depois que o dinheiro já foi separado é motivo para largar o cartão.

Nas entrevistas, os clientes descreviam a fatura como o orçamento deles, e não só a do mês. Eles olham as faturas pagas para entender o que gastaram, conferem a aberta para separar o dinheiro e contam as parcelas dos próximos meses antes de comprar de novo. O cliente pensa a fatura no tempo, e o nosso cartão mostrava só o presente.

Pior: nem o presente era confiável. Compras ainda em processamento não entravam na fatura aberta, e parcelas de meses anteriores só apareciam depois que a fatura já tinha aberto.

O modelo mental · como o cliente lê a fatura A fatura aberta é o orçamento. O cérebro antigo mostrava só uma parte dela.
AntesA fatura que você planejou não era a fatura que você pagava
DepoisVocê paga a fatura que vê

Simulação com valores fictícios. As parcelas de meses anteriores tinham a mesma lacuna, e viraram a segunda entrega.

03 · Mercado e ideias

Comparamos o nosso cartão com o que o mercado já oferece.

Com a Mastercard, mapeamos o que se espera de todo cartão no Brasil, e fomos atrás do que faltava no nosso.

Benchmark + ideação Os “Básicos Impecáveis” da Mastercard, depois um workshop com o time e a liderança.

Para nos encaixar melhor no mercado, partimos do que já existia. Com a Mastercard, mapeamos as funcionalidades essenciais de um cartão de crédito no Brasil, a lista que a Mastercard chama de “Básicos Impecáveis”. Depois levamos pesquisa e dados de mercado para um workshop com o time e a liderança, e priorizamos as ideias com um framework adaptado da IDEO: o que o negócio espera, o que o cliente espera e o que o novo autorizador conseguia fazer tecnicamente.

Framework: expectativas do cliente, necessidades do negócio e viabilidade técnica se cruzam no que construímos: a fatura aberta em tempo real e todas as parcelas desde o primeiro dia. Clienteo que o cliente espera Negócioo que o banco precisa Tecnologiao que o novo autorizador faz CONSTRUIR
Construir Fatura aberta em tempo realTodas as parcelas desde o 1º dia

Do workshop saiu um norte que batizamos de Controle Temporal: o cliente precisava ver o passado, o presente e o futuro da fatura, e conseguir agir sobre eles. A ordem também ficou clara ali. Ninguém planeja os próximos meses em cima de uma fatura que muda, então o presente vinha primeiro.

O passado

Faturas fechadas

Tudo o que já foi cobrado, sem surpresas.

O presente

A fatura aberta

Atualizada em tempo real, com cada compra e cada parcela.

O futuro

Faturas futuras

O que já está comprometido nos próximos meses, para ninguém precisar de planilha para se planejar.

“Controle Temporal”: o norte que saiu do workshop. Cada parte virou entrega.

04 · O presente

Primeiro, uma fatura aberta em que dava para confiar.

Fiz protótipos de baixa fidelidade para refinar a solução com a engenharia, já que tudo dependia do que o novo autorizador conseguia fazer. As versões em alta fidelidade foram para testes de usabilidade com clientes, para reduzir o risco de implementação antes de qualquer linha de código.

cartão de crédito

Como era

Compras pendentes ficavam de foraCompras ainda em processamento não entravam na fatura aberta, então o valor na tela ficava desatualizado.
Faturas abriam incompletasQuando uma fatura nova abria, as parcelas de compras anteriores ainda não apareciam. O valor mudava depois.

Como ficou

Fatura aberta em tempo realToda compra autorizada entra na hora, e o cliente controla os gastos enquanto eles acontecem.
Todas as parcelas, desde o primeiro diaA fatura já abre com todas as parcelas dos meses anteriores, algo que nem todo cartão no Brasil oferece.

A segunda funcionalidade saiu direto dos “Básicos Impecáveis” da Mastercard. Nem todo cartão no Brasil abre a fatura já com todas as parcelas dos meses anteriores, então fechar a nossa lacuna também nos deu um diferencial.

05 · Passado e futuro

Depois, o resto do tempo da fatura.

Com o autorizador interno, o banco passou a saber em tempo real o que cai em cada fatura, inclusive nas que ainda nem abriram. Foi isso que tornou possível o resto do Controle Temporal, em três frentes que desenhei com o time.

Faturas no tempo. Uma linha do tempo de meses abre a área de faturas. As pagas ficam em segundo plano, a aberta em destaque e as previstas logo depois, cada uma já com o seu valor. Tocar num mês mostra o que está nele, inclusive as parcelas que ainda vão cair. Quem antes precisava de planilha para se planejar passou a ver os próximos meses no app.

faturas

Antecipar parcelas com desconto. Era uma das cinco dores da pesquisa. Na fatura prevista, a pessoa escolhe quais parcelas futuras quer pagar agora, e quanto mais distante a parcela, maior o desconto nos juros. Antes de confirmar, ela vê quanto economiza e em qual fatura o valor entra. Pagando com Pix, o limite volta no mesmo instante, porque agora a autorização é nossa.

antecipar parcelas

Planejar antes de comprar. A última frente olha para a próxima compra. A simulação mostra como cada fatura futura fica com a compra nova, e o calendário explica o ciclo da fatura sem jargão: quando fecha, qual é o melhor dia de compra e quando vence. Ao mudar o vencimento, cada dia já mostra qual passa a ser o melhor dia de compra.

planejar

Na época, nem todo banco no Brasil dava esse controle no app. Faturas futuras completas, antecipação com desconto em poucos toques e limite liberado na hora viraram diferenciais do nosso cartão, todos saídos de um projeto que começou como infraestrutura.

A ordem da entrega

Começamos pelo presente porque ninguém planeja os próximos meses em cima de uma fatura que muda. O passado e o futuro vieram depois.

Uma lição

Priorize o que o usuário pede, e também o que te dá vantagem competitiva.

06 · Impacto

Medido contra um grupo de controle.

As entregas foram para um rollout controlado, com o grupo de teste comparado a um grupo de controle. Também trabalhei com outros times para que eles usassem o novo autorizador em produtos do próprio escopo.

Impacto · grupo de teste vs. grupo de controle

Uma migração de infraestrutura virou controle do tempo para o cliente.

A/BLançado contra um grupo de controle
CSAT & NPS ↑Maiores no grupo de teste do que no de controle
Contatos ↓Menos chamados no grupo de teste
Rollout controlado, A/B desde o desenhoFuncionalidades que nem todo cartão no Brasil ofereciaUm autorizador em que outros times construíram

07 · Por que importa

O que este case diz sobre como eu trabalho.

O que eu manteria
  • Ler os chamados antes das entrevistas: os dados de contato diziam onde doía, os clientes diziam por quê
  • Entregar os dois básicos primeiro. Era a fatura previsível que dava sentido ao resto do Controle Temporal
O que eu mudaria
  • Enquadrar a migração como oportunidade de produto antes de o plano de engenharia estar fechado
  • Medir o grupo de controle só nos contatos sobre fatura, para o resultado poder ser atribuído à mudança
01Vi um produto num ticket de infraestruturaUma migração de back-end virou a chance de resolver o que mais fazia o cliente reclamar.
02Deixei os dados escolherem a dorTranscrições de chat classificadas por causa, depois entrevistas para entender o que a maior delas significava.
03Fiz benchmark antes de inventarCom a Mastercard, mapeei o que se espera de todo cartão no Brasil, e achei a nossa lacuna.
04Prototipei pela viabilidade primeiroBaixa fidelidade com a engenharia, porque tudo dependia do que o novo autorizador conseguia fazer.
05Medi o resultadoUm rollout gradual, com o grupo de teste comparado a um grupo de controle.
06Transformei uma migração em roadmapO Controle Temporal saiu do papel, e outros times construíram sobre o mesmo autorizador.
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